AMSAC: O nosso futsal inicia no próximo dia 21 a sua época e, não poderíamos deixar passar a oportunidade de ir conversar com o nosso Diretor Desportivo para o Futsal. Durante muitos anos responsável pela formação, passou depois a homem forte apenas da equipa sénior e recentemente, há cerca de duas épocas, aceitou o desafio de assumir de novo todo o futsal do clube. Falamos de Manuel Ferro.

O que o fez aceitar este desafio?

Manuel Ferro:  Não se tratou dum desafio, sendo que foi por insistência de alguns treinadores da formação, quem participa na AMSAC, com paixão e devoção desde 1990 teria dificuldade em recusar, mas o fator fundamental foi ter sentido a vontade comum de treinadores e delegados.

 

AMSAC: Passado uma época como Diretor Desportivo, e olhando para o que era o passado da AMSAC, como vê atualmente o futsal na nossa casa e quais as grandes diferenças que vê comparando aos tempos que se iniciou?

Manuel Ferro: Há nove anos atrás deixei a formação para assumir a direção do plantel sénior numa altura difícil de êxodo total de treinadores e jogadores. Neste último ano e meio acumulando novamente os escalões jovens conseguiu-se fundamentalmente a criação dum espirito coletivo, organização, qualidade de treino, muita ambição, criação de coordenações responsáveis e competentes.

 

AMSAC: Nesta fase em que os jogadores estão de férias, em que o nosso futsal parece estar parado, é aqui que tudo se prepara, é aqui que se define muito do que será a época. Como tem corrido esta fase para o futsal da AMSAC?

Manuel Ferro: Nesta altura os plantéis estão praticamente definidos nos escalões etários mais altos. Apesar de não haver treinos neste período foi de enorme atividade, por exemplo na modernização do site, David Pratas, Miguel Velez e Paulo Coutinho têm tido um exaustivo trabalho. Duarte Selas na coordenação de seniores, juniores, juvenis e iniciados também não tem tido descanso. Luís Jardim vai-se desdobrando na coordenação de traquinas, benjamins e infantis.

A AMSAC Day está em marcha também com a participação e empenho de todos.

 

AMSAC: O plantel de seniores parece estar fechado para a época de 2017/2018, sendo composto por 17 atletas. Temos 11 “caras novas”, 2 atletas provenientes da formação e apenas 4 atletas que transitam da época anterior, ou seja, muitas alterações face a épocas anteriores. É um plantel que nos parece também mais jovem face à época anterior, com uma média de idades ligeiramente inferior aos 25 anos. Podemos falar de uma “revolução” face à época anterior? Está AMSAC a apostar mais nos jovens e também na própria formação? O que podemos esperar deste plantel?

Manuel Ferro: Não se trata de revolução, o plantel da época anterior era muito curto, terminamos com dez atletas, recorreu-se praticamente a época toda a juniores.

Chegam atletas experientes e outros embora jovens têm muito talento.

Na formação o objetivo é que muitos cheguem ao plantel sénior, o efeito deste trabalho a desenvolver vai se refletir no futuro, com atletas que não só cheguem aos seniores, mas sim se tornem relevantes na equipa.

A continuação do Treinador principal Pedro Cascarrinho (4a época) e do seu adjunto Miguel Barreto, dará uma estabilidade pelo conhecimento da AMSAC. O regresso de Pedro Martins treinador de guarda redes será uma mais valia no treino especifico

 

AMSAC: Sempre com uma equipa bastante competitiva e a lutar pelos lugares cimeiros nas últimas épocas, apesar de todas estas alterações na equipa sénior, podemos esperar o mesmo para esta época? Quais os objectivos definidos para a próxima época? Será possível vermos a AMSAC brevemente na 1ª Divisão Nacional?

Manuel Ferro: A Federação ao acabar com a Terceira Nacional veio complicar e limitar as subidas, vejamos: na Liga Sportzone em quatorze equipas descem apenas duas… Na Segunda Nacional de 58 sobem duas. Pergunto porque não descem quatro e sobem quatro? (nas séries do 2º escalão com dez clubes em cada série descem 3 diretos e um possível quarto), pior das 58 do segundo escalão todos os anos há varias desistências porque muitos clubes não estão preparados para competir a este nível.

14 equipas na Liga Sportzone e 28 no segundo escalão uma série norte com 14 e uma série sul com 14 seria voltar ao antes, mas para mim o ideal. O argumento da alteração foi para diminuir despesas, mas na pratica não tem sido assim, não tem havido diminuição alguma.

Depois disto respondo objetivamente à pergunta, já estivemos no escalão máximo muitos anos e se na ultima passagem na altura descessem duas equipas provavelmente ainda la estaríamos, mas desciam quatro. Estamos preparados para lutar pela fase seguinte que irá decidir a subida, para isso estaremos preparados.

 

AMSAC: Apesar de ainda não ser oficial as equipas que partilharão a séria da 2ª Divisão Nacional com a AMSAC fala-se já no nome de algumas equipas o que, a confirmar-se este cenário, será uma divisão bastante competitiva e que talvez em termos de orçamento a AMSAC seja a que tem um dos mais reduzidos. Como encara este cenário? Mantêm-se os objetivos neste cenário?

Manuel Ferro: A SERIE E onde nos incluem é terrível, praticamente todas as equipas tem o objetivo de chegar á fase seguinte de discussão da subida á Liga Sportzone. Das dez descem três diretamente podendo descer uma quarta.

Os nossos concorrentes com orçamentos elevados. acabam por fazer excelentes planteis, estaremos mesmo assim na luta para passagem á fase seguinte, e lá chegando tudo pode acontecer.

 

AMSAC: Para a época que se avizinha infelizmente verificou-se a desistência de algumas equipas seniores e vimos também para já a recusa de alguns clubes em subir à 2ª Divisão Nacional em virtude de dificuldades financeiras que poderiam advir daí. Muitas vezes o formato da 2ª Divisão Nacional é também criticado. Qual a sua opinão sobre este formato e como vê estas desistências e dificuldades financeiras que alguns clubes enfrentam?

Manuel Ferro: Na quinta pergunta que me fez e no enquadramento da resposta á mesma, já respondi em parte a esta questão, mas é bom complementar com exemplos … dos clubes de Lisboa alguns ficam na serie F e vão ate Alentejo e Algarve. na serie E onde estamos, fomos 3 vezes á Madeira, duas a Sousel e não fomos a Santarém porque desistiram. A próxima época embora ainda não seja oficial, será Madeira, Mendiga, Olho Marinho, Casal Velho e Ponte Sor. Os clubes de Lisboa são os prejudicados. Na Liga Sportzone descem duas equipas que provavelmente serão quase sempre os que subiram no ano anterior, os outros doze tem permanência assegurada. é Injusto

O UPVN desceu injustamente á divisão de honra graças a este figurino e no futuro a outros históricos acontecerá. Uma luta tremenda na Série E, noutras series uma ou duas decidem e conseguem apuramento para fase seguinte naturalmente ou manutenção sem dificuldades

 

AMSAC: Passando agora um pouco para a formação, apesar de termos um historial bastante alargado de presenças em todos os escalões, não vencíamos um campeonato há cerca de 17 anos, tendo nos últimos 3 anos a AMSAC conquistado dois títulos distritais. É também um sinal de que algo está a mudar? Estamos mais ambiciosos, estamos a trabalhar mais?

Manuel Ferro: A procura do sucesso tem que estar na cabeça dos treinadores, ter técnicos disponíveis, ambiciosos e competentes é um dos “segredos”. A criação de equipas com atletas que alem do talento tenham compromisso e paixão pela modalidade é outro “segredo”. Uma organização competente que fundamentalmente consiga transmitir aos pais e atletas que na verdade estão numa coletividade em que o trabalho é superior e que não têm necessidade de procurar outros desafios para a sua evolução desportiva e futuro, este é o terceiro “segredo” .Estes fatores conjugados nos levam á consolidação da mística AMSAC e consequentemente a títulos.

Andámos alguns anos um pouco descuidados com os elementos que referi.

 

AMSAC: A juntar a este facto temos também o plantel de juniores, campeão na época anterior da 1ª Divisão Distrital, sendo que alguns dos atletas já o tinham conseguido também duas épocas antes no escalão de juvenis, que inicia esta nova época apenas com 4 novas caras, sendo que 12 atletas transitam do ano anterior. Além disto os juvenis tiveram na época anterior a um passo de se apurar para a Taça Nacional. São também estes sinais que a nível de formação as coisas estão a melhorar e a qualidade a aumentar?

Manuel Ferro: A continuidade dos atletas é fundamental e finalmente está a acontecer. Na época anterior os juvenis estiveram brilhantes, o mesmo elogio aos juniores que de forma clara e brilhante foram campeões. relevo ainda que muitos juvenis participaram nos jogos de juniores, isto apenas possível pelo conhecimento e trabalho dos dois técnicos Pedro Carvalho e Miguel Velez, este já os conhecia bem das épocas anteriores.

Os iniciados vamos iniciar uma nova etapa, e confio muito na nova equipa técnica David Pratas e Carlos Mateta.

Juniores, juvenis e iniciados serão assumidamente de nível competitivo muito elevado. Traquinas, Benjamins e Infantis, apesar de competirem será relevante o aspeto formativo e recreativo. Não havendo qualquer preocupação pois estão entregues a treinadores com largos anos de experiencia, casos de Pedro Saraiva infantis) e Luís Alves e Manuel Teixeira(benjamins). os traquinas, com Migalhas, mais um antigo atleta AMSAC,

 

AMSAC: A nível de regulamentos, este ano houve uma alteração que de certa forma parece proteger um pouco mais a formação ou pelo menos permitir que os clubes sejam recompensados no caso de mais de dois atletas saiam para o mesmo clube e escalão. Acha que actualmente os clubes têm realmente incentivos à formação e que os mesmos são recompensados por tal?

Manuel Ferro: As alterações aos regulamentos de transferências foi uma trapalhada da Federação Portuguesa de Futebol. Na pratica não vai haver nenhuma compensação, tudo será e continuará na mesma, logo continuarão a existir os assédios sem qualquer respeito.

AMSAC: Outra questão, e que vem um pouco na sequência de pontos anteriores, é que quando olhamos para a equipa senior e também formação, pensamos que não existe, ou pelo menos não vemos, um patrocínio que seja regular e constante de época para época. É isto resultado das dificuldades que se fazem sentir actualmente ou como explica esta situação?

Manuel Ferro: A situação económica menos favorável tem tido alguns efeitos também nos patrocínios, mas também temos divulgado pouco as nossas atividades e trabalho desenvolvido, mas já está uma nova dinamização em marcha, desenvolvida pela nossa nova equipa de comunicação, que em breve virá a atrair parcerias de interesse comum.

Obviamente que jamais entraremos, como outros, em projetos de patrocínio em que perdem completamente o controlo. A consequência é um, dois, três anos, desaparecerem desistindo da modalidade. Talvez por isso desde 1989 cá andamos seriamente competindo e honrando esta Associação no âmbito desportivo, com orçamentos que não ponham em causa o nosso compromisso e independência.

 

AMSAC: Se olharmos para as equipas técnicas da formação temos também pelo menos cinco elementos que passaram pela formação como atletas, e inclusivé alguns destes também pelo plantel da equipa sénior. Costuma-se dizer que quem passa por esta casa nunca mais esquece. Como explica esta relação entre ex-atletas e a AMSAC? É também opção da direcção na aposta em ex-atletas para as suas equipas ou é algo que acontece naturalmente?

Manuel Ferro: Na verdade atualmente temos 6 treinadores com passado como atletas da AMSAC. Pode ter acontecido naturalmente, mas não por acaso. sentiram a Associação enquanto atletas e a prova disso, é que três deles ainda acumulam ativamente e diariamente outras funções importantes alem de treinadores.

Creio que outros virão, só assim poderemos manter uma perspetiva otimista para o futuro. A continuidade e futuro será assim assegurada dentro do espirito do associativismo

 

AMSAC: Por último, recentemente tivemos a inaguração do novo Centro Comunitário, que servirá de sede para AMSAC nos próximos anos, tivemos o lançamento de um novo site, entre outras iniciativas. Podemos falar de uma AMSAC de “cara lavada” e rejuvenescida para a próxima época? São esperadas mais alterações/” surpresas” para a época que aí vem?

Manuel Ferro: A inauguração do Centro Comunitário foi até agora o ato mais relevante na historia da AMSAC. Mas nada nos foi dado, aquela enorme extensão de terreno foi cedida pela nossa Associação á Camara de Loures há muitos anos. A contrapartida seria a construção do agora inaugurado Centro Comunitário e um Pavilhão Gimnodesportivo. Alguns anos mais tarde o Pavilhão foi retirado O Município aumentou em milhões o seu património com estes terrenos, parte desse terreno foi para as piscinas.

Seria justo o cumprimento do primeiro acordo, mas já seria reposta parte da justiça, a cobertura do ringue desportivo onde desenvolvemos a nossa atividade durante muitos anos. falamos dum custo entre 150.000 a 200.000 euros.

A surpresa? em tempo de eleições e sendo sonhador quem sabe as forças politicas sejam elas quais forem ainda nos venham a surpreender com aquilo que na verdade merecemos.

0 replies

Leave a Reply

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *